Conteúdo 11 de junho, 2026 VOLTAR PARA O BLOG

Copa do Mundo: quando entrar no jogo faz sentido para a marca?

A cada quatro anos, o Brasil muda de ritmo. As ruas se enchem de bandeirinhas, os grupos de Whats viram mesa-redonda e até quem não acompanha futebol sabe quando e contra quem a seleção entra em campo. Para as marcas, é um convite difícil de ignorar.

A Copa do Mundo é um dos maiores palcos de marketing do planeta. A própria FIFA informa que cerca de 5 bilhões de pessoas acompanharam conteúdos da Copa do Catar, em 2022, em diferentes plataformas e dispositivos. Para 2026, o torneio será ainda maior: 48 seleções, 104 partidas, três países-sede e 16 estádios.

Mas alcance não é sinônimo de pertinência. No Brasil, onde futebol mistura memória afetiva, identidade nacional, entretenimento e consumo, a Copa pode ser uma grande oportunidade de conexão. Também pode se tornar um desastroso gol contra quando a marca entra na conversa sem clareza sobre o papel que ocupa nesse contexto.

A Copa não é um evento: é um estado de espírito

Não é apenas sobre futebol. É sobre pertencimento, esperança, rivalidade, celebração e aquele raro sentimento de se viver algo em conjunto. Por isso, tantas marcas entram no clima do evento.

Quando funciona, a marca não apenas pega carona no tema: ela melhora a experiência do público de maneira relevante. Pode oferecer conveniência, entretenimento, serviço, celebração ou, simplesmente, uma boa história. 

Marcas de cerveja, refrigerante, alimentos, delivery, telecom, vestuário esportivo e varejo têm caminhos mais óbvios, porque participam da rotina de assistir, torcer e se reunir. Mas isso não significa que só esses setores possam aproveitar o evento. A questão não é o segmento. É a ponte entre a marca, o momento e a vida real das pessoas.

Quando tema não vira estratégia

Ação de comunicação temática é fácil de reconhecer: tem estrelinhas, bola, bandeira, vuvuzela… Já estratégia de marca parte de uma pergunta mais profunda: essa ação reforça o que queremos construir no longo prazo?

Muitas ações geram atenção por alguns dias, mas não constroem reconhecimento, diferenciação ou memória. Poderiam ser de qualquer marca. Em alguns casos, basta trocar o logotipo.

Para a Brainbox, entrar em campo na Copa ganha força quando a estratégia conversa com os valores, o posicionamento e a experiência real que a marca entrega. Esse cuidado ajuda a evitar associações frágeis, riscos jurídicos e performances que batem na trave.

A linha tênue entre oportunidade e emboscada

Existe uma diferença importante entre aproveitar o clima da Copa e sugerir associação oficial com o evento. A FIFA monitora o chamado marketing de emboscada e historicamente tem penalizado marcas não afiliadas que criem associação comercial indevida com o torneio.

Na prática, uma marca não patrocinadora não pode deixar a impressão de que faz parte oficialmente da Copa.

Dá para fazer ações de comunicação sem levar um cartão vermelho da FIFA? Sim. O caminho está em deixar os códigos oficiais de lado e explorar associações mais coletivas: hábitos da torcida, sentimentos compartilhados, humor popular e memórias afetivas. O lance é driblar o óbvio sem sair da pertinência.

Alegria estratégica: quando a campanha empolga, mas também constrói

Existe uma razão emocional para a Copa ser tão desejada pelas marcas. Em tempos de ansiedade, polarização e cansaço, eventos coletivos de celebração funcionam como respiros sociais. A WGSN chama essa força de Alegria Estratégica: uma ferramenta para enfrentar a negatividade e reconstruir o mundo como um espaço mais inspirador, inclusivo e acolhedor. Segundo o estudo Consumidor do Futuro 2027: Emoções, esse estado emocional une alegria a propósito e surge como reação a anos marcados por estresse prolongado, tédio e desregulação emocional.

A Copa é um terreno fértil para essa alegria compartilhada. A oportunidade está em usar leveza com intenção, criando ações de comunicação que convidem, aproximem e façam sentido para o público.

E se o Brasil “desganhar”?

Nem queremos pensar nisso! No entanto, essa é uma pergunta que ajuda a testar a maturidade de qualquer ação de comunicação criada para o período. Afinal, Copa também é frustração, eliminação, meme, silêncio depois do apito final e ressaca coletiva (quem não se lembra do fatídico 7 a 1?). Quando a campanha depende só do desempenho da seleção, a marca perde controle sobre a própria narrativa.

Uma estratégia mais madura considera cenários. Se o Brasil avança, como a marca celebra? Se perde, como a ação se sustenta? Se o interesse cai, como a mensagem continua útil? A resposta não precisa ser pessimista. Precisa ser flexível.

Marcas fortes não apostam tudo em um placar. Elas constroem conceitos capazes de sobreviver ao resultado. Podem falar sobre estar juntos, criar rituais de torcida com a família e os amigos, reconhecer que o futebol é feito de emoção, mesmo quando o final não é o esperado.

Gols de placa 

Quando falamos em ações durante a Copa, os grandes gols costumam combinar pertinência, identidade e utilidade.

Pertinência é o direito de entrar na conversa. A marca precisa ter uma razão clara para estar ali, sem “forçação de barra”.

Identidade é o que impede a campanha de virar genérica. A marca pode usar o clima de torcida, desde que continue reconhecível dentro dele.

Utilidade é aquilo que o público leva da campanha: ofertas especiais, entretenimento, serviço, sensação de pertencimento ou só uma boa risada.

Olho no lance

Entrar no clima da Copa sem entender seu contexto cultural pode ser falta grave. E tão importante quanto respeitar os limites legais impostos pela FIFA é criar ações que realmente estejam conectadas à experiência que a marca entrega.

Afinal, Copa é um período de saturação. O público será impactado por muitas campanhas parecidas. Para se destacar, é preciso saber o que a marca quer deixar na memória depois que o evento acabar.

No fim, a melhor ação não é a mais barulhenta ou a mais cara. É a que entende os sentimentos despertados pelo evento, traduz a identidade da marca e entrega algo que o público reconhece como verdadeiro.

Campanhas pontuais passam. Marcas consistentes permanecem. 

Se a sua marca quer transformar contexto em estratégia e estratégia em resultado, convoque a Brainbox. Estamos prontos para jogar ao seu lado.

Artigo escrito pela Gerente de Redação da Brainbox, Fernanda Daldon.

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